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domingo, 19 de abril de 2026

OBRIGADO, PAI


Dentro de alguns dias assinala-se um ano desde que o meu pai faleceu. Quero deixar aqui uma homenagem à pessoa que foi e à memória, ao respeito e à profunda admiração que dele permanecem em mim.


A imagem de um pai herói poderá parecer excessiva e pouco coincidente com a figura do meu pai. Ainda assim, não consigo afastar essa ideia. À sua maneira, foi-o. Fez tudo o que estava ao seu alcance para me dar uma vida digna e segura, dentro das possibilidades que tinha e dos limites do mundo que conhecia. Enfrentou momentos muito difíceis ao longo da vida, mas nunca desistiu. Soube sempre encontrar forma de ultrapassar contrariedades profissionais, sociais, políticas e familiares.


Na minha perspetiva, recebeu uma educação emocionalmente repressiva, assente em valores antiquados. Cresceu numa família e numa sociedade marcadas por referências militares e católicas, moldadas por uma disciplina pouco compatível com uma criança que precisava de afeto, escuta e espaço para crescer emocionalmente. No fundo, creio que nunca se reviu totalmente nesses valores.


Hoje parece-me que os meus avós não souberam reconhecer uma personalidade mais sensível, que exigia outro cuidado. Dessa falha nasceram feridas silenciosas. O meu pai não as transformou em revolta nem em ressentimento, mas numa dificuldade profunda em lidar com a própria emotividade. Mais tarde, quando lhe coube educar os filhos, acabou por reproduzir o que aprendera: com menos dureza, é certo, mas também com distância e um afeto contido.


Que pai escapa ao olhar crítico de um filho? Também eu serei, um dia, julgado pelos meus. Descobrir que os pais não são as figuras perfeitas que imaginámos é um dos grandes choques do crescimento. A relação do meu pai com o pai dele sempre me intrigou. Creio que o silêncio entre ambos escondia muito por resolver.


Como acontecia tantas vezes na sua geração, entregou à minha mãe a dimensão afetiva da família. E, absorvido por si mesmo e pelos seus interesses, manteve-se num lugar distante, quase inalcançável para uma criança como eu. Quando a minha mãe morreu, viu-se perante uma responsabilidade imensa para a qual não estava preparado.


A esse afastamento juntou-se, para mim, algo ainda mais doloroso: a sensação de que não respeitava a minha inteligência nem os meus interesses, vendo-me sempre como menor. Cresci entre a carência, a revolta e o mal-estar. Durante muitos anos, a nossa relação viveu do conflito, embora eu nunca deixasse de o admirar e de procurar a sua atenção e aceitação.


Com o tempo, com terapia e com um esforço sincero para o compreender para além das minhas feridas, a minha perspetiva mudou. Hoje vejo-o, antes de tudo, como uma pessoa de bem e como um amigo. Acredito que fez sempre o melhor que soube e que, como todos nós, também errou. Talvez tenha amado da única forma que conhecia. E talvez a sua maior tristeza tenha sido nunca saber dizer que nos amava.


Mas, tal pai, tal filho, também eu lamento não lhe ter dito mais vezes aquilo que me era difícil dizer: que o amava. E no fundo o que deve alimentar uma qualquer relação adulta e amiga, deve ser uma constante troca, uma sinergia em ambas as direções e não uma constante exigência/cobrança de uma relação unidirecional de pai para filho, como nos nossos primeiros tempos


Quanto mais me revejo nele, melhor me conheço a mim próprio. Inevitavelmente, somos fruto e consequência.


Obrigado Pai.Que falta me faz não ter dito mais vezes.Obrigado Pai.


Cascais 20.04.2026 

sábado, 16 de agosto de 2025

No consenso da sugestão 


Falo de mim me escondendo as emoções

Ego me centro, por sugestão de necessidade. 

No conforto de meu desconforto 

Consinto a imposição, como uma invasão.


Cascais, 2022

quinta-feira, 15 de maio de 2025

 Cedência 

Sinto dor.
Imensa dor.
Cedência.
Como se em cada gesto involuntário,
desistisse de ser.

Dormência.
Pre-demência.
Do tempo que lento da consciência.

De ser isto que sou,
que carrego.
A dependência de meu ego
E cedo.

E na cedência,
me esqueço.
Ou talvez, enfim,
me reconheça.


2025, Cascais

quinta-feira, 19 de setembro de 2024

Tudo o que pousa, não se eterniza pousado

Muda, mexe, voa e se tranforma.

À eternidade, se limita a memória

E mesmo ai, por vezes eternamente se perde.


Tudo é vago, tudo é importante.

Ser novo, que seja a constante 

E existir, 

Um amor de constante incerteza.


O nó que nos une, o Amor eterno





segunda-feira, 11 de abril de 2022

 O CAMINHO


O caminho de ida, aventura, o caminho de volta, segurança

Segurança leva.nos à dimensão da confiança e aventura a adrenalinas de sobrevivência

Para pensar e preciso estar quieto

Para sentir é preciso acionar a surpresa

Andar sempre pelo caminho conhecido traz conforto. e isso pode levar a que a mente esteja bloqueada para novos caminhos

Pena se para além do conforto físico sensorial também ficamos no conforto de pouco pensar.


Cascais Abril de 2022

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

TANTOS ANOS

Faz agora estes tantos anos que procuro, me mudo sem nunca daqui sair, por aí, mudo eu, mudo fico, mas procuro, mas sem nunca daqui sair
Tem coisas que nunca tive mas que as perdi, por aí, coisas que possui sem delas ser dono, coisas que tem agora tantos anos, tantos


Gravedal, Noruega    3 de Setembro 2018
“assombrado de que também os mortos envelhecessem”

"porque nunca pôde entender o sentido de uma contenda entre dois adversários que estavam de acordo nos princípios”

Excerpt From: Gabriel Garcia Márquez. “Cem anos de solidão.” iBooks. 
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segunda-feira, 3 de setembro de 2018

AS  FORMAS

Forma de ter….Forma de Ser…ou a posse de ser da Forma.
Forma Isto, Forma Aquilo. Formasse a Ti.
Transformo Eu, transformem me a Mim.
Deformem o que vêm e reformem nos a Nós.

Formaram a forma e outras normas
Formaram a desforma e a resposta
Formaram a Fórmula. Formularam a Forma.
E convidaram nos para a Formatura.

A consciência da Forma de estar, e sua natureza. 
Toda ela artificial, pois de formação humana, 
A consciência da Forma da natureza, e seu estar. 
Toda ela, essa lei caótica puritana. 

Forma te a ti, Forma um Formato
Formata…Mata…Forma valores … Formula a pergunta.
Vive com a duvida ou uma forma de Dogma
Escolhe. Com que Forma.
Conforta te. Conforma te.

Forma a Forma. Informa te, Informa tudo.
Informalmente, desconstroi a Forma,
Que pois, tudo muda,  Que tudo se deforma
E tudo a Natureza forma, perdoa e ajuda.

Escrito em Cascais, Portugal a 09.08.2015. 

Revisto em Leknes, Noruega a 03.09.2018
Uma ideia de luta por uma ideia

Dar luta à ideia.
Lutar com ideia.
Lutar com a ideia, por uma ideia...
ideia...
Ideia de luta, por uma luta
Puta...
Puta de ideia
A luta
Da ideia
Da meia ideia...
Luta


Leknes, Noruega
03.09.2018

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

OBSERVAÇÃO 1


O DOBRO DO MUITO POUCO CONHECIDO NÃO DEIXA DE SER MUITO POUCO, MAS OCUPA O DOBRO DO ESPAÇO DO VAZIO

O AUGE, O NADA E O TODO


Aquele pequeno momento de esplendor conquistado que enche o peito de outra confiança e tudo isso antes da eclosão final, o Auge. 
E depois o nada.
E depois o melhor

O nada é bom e é o todo. 

São Paulo Outubro 2015

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

QUERIDA ESSENCIA


Folgo de Luta, por adquirida inocência
Pois Glória e Incompreenção não se completam

Falsa, falsa banalidade, meu erro por carente Ausência
Extraviar a razão da procura
Ou existir como um todo louco

Te Adoro sempre Querida Essência

1998

terça-feira, 18 de junho de 2013

Bailarino de Palavras


Sou vosso de encanto e quanto canto, qual o verso a que me entranho
Vosso de ser e imaginar ter, qual o jeito a que me estranho.
Beijem o céu em menos de nada, quem vos toca, cala e grita
Gozo em e de vossas letras, quem de vosso servo se milita.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Presença

A presença é sublime
A pratica, arbitraria
A ausência da mesma, vazia
A presença é um não desligável

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

AS VIAGENS

Antes seja afastado do que já alcansei que o seja daquilo para que vou.
A posse é um declinio

Antes um pássaro a voar que dois na mão. Dois pássaros na mão são o que já não falta. Um pássaro a voar, é ir com os olhos a voar com ele, ir sobre os montes, sobre os rios, sobre os mares, dar a volta ao mundo e continuar, é ter um motivo de viver - é não ter chegado ainda.

Antonio Madeira

quinta-feira, 16 de abril de 2009

A PESADA CAMINHADA

De estrangeiro me criei
Em terra onde nasci
Na raiz de outro alguém
Viajei mas não parti

Atacama Janeiro 2003

SER AUSENTE


Abstenho-me… Integro
A Ausência como um bem Capital.
Demasiada experiência não cria inocência?
Diz me Tu, ó Heroi marginal

A massiva branca expele o ditado
Tomara a mim poder estar deitado.

Fazes do Som o teu conquistado
Mas não compareces na hora do suicida.
Saberás Tu, de quanto Ser é se estar?
Ou só de quantas Luas se faz vida

Eu sei
Mas prefiro me ausentar.

Luis Oliveira

Cascais, 02.05.1998

terça-feira, 14 de abril de 2009

Chile 1

MORRE LENTAMENTE

Morre lentamente quem não viaja; quem não lê; quem não ouve música; quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente quem destrói o seu amor próprio, quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca, quem não se arrisca a vestir uma nova cor, ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão; quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos sem bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás dum sonho, quem não se permite, pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.

Morre lentamente quem abandona um projecto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples facto de respirar


Pablo Neruda

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

OXYMORON

Oxímoros, dito em Grego.
Inocente culpa, de tua
Presença ausente, ou ... e,
Coragens de um só medo

Oxymoron, seiva de nosso Ego,
Fala muda, na tua
Ausente presença, ou ... e,
Nadas de um só todo.

Helenica gemea, palavra de apego,
Curta imensidão, de teu
Eterno morrer, ou ... e,
Farsas de um só tolo.


Malveira 17.09.2008

quinta-feira, 5 de junho de 2008

TWIN




TWIN

As once, Time
As have ever been predicted
Toke us, little bare foot
On triangular shades sandy paths

Past to be no more than
A path of slices in moments

Adoring twin existence to be fed

Future is as simple as a thought
On the non knowing
How insignificantly true
To only be where the moment is
Over our own river balcony
Where only one Fakula travels upper tide

Flew and knew
Intro Twin being
Painfully new, ever old

By never leaving, we have gone
Adoring Twin our existence feeder

O Eterno Permisso - Cairo 2005