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quinta-feira, 7 de agosto de 2025

 Nick Cave on the antidote to our helplessness


We live between the scale of gluons and the scale of galaxies, incapable of touching either, irrelevant to the fate of both. Forged of the dust of dying stars, we move through a universe of impartial laws with our dreams and desires, passionate pawns in the hands of grand-master chance, daily watching the world spin counter to our wishes, daily watching ourselves bend against our own will.

How, against the backdrop of this cosmic helplessness, can we muster the sense of agency necessary for conducting our human lives, much less fill them with the majesty of meaning?


Published on the blog: The Marginalian by Maria Popova 


Tradução do Google:


Nick Cave sobre o antídoto para o nosso desamparo


Vivemos entre a escala dos gluões e a escala das galáxias, incapazes de tocar em qualquer uma delas, irrelevantes para o destino de ambas. Forjados da poeira de estrelas moribundas, movemo-nos por um universo de leis imparciais com os nossos sonhos e desejos, peões apaixonados nas mãos do grande mestre do acaso, observando diariamente o mundo girar contra os nossos desejos, observando diariamente a nós mesmos curvarmo-nos contra a nossa própria vontade.

Como podemos, perante este desamparo cósmico, reunir o sentido de agência necessário para conduzir as nossas vidas humanas, e muito menos para as preencher com a majestade do significado?


Publicado no blogue: The Marginalian, de Maria Popova

quarta-feira, 2 de abril de 2025

 “Eu desconfio de todo idealista que lucra com seu ideal”

Millor Fernandes 

CRENÇAS ESOTÉRICAS

Na minha perspetiva, nós somos apenas energia que se materializa. Tudo aquilo de que temos perceção — seja visual, auditiva ou de qualquer outra forma — neste cosmos, segue a mesma lógica: são energias que se manifestaram de maneira tangível. No entanto, existem inúmeras energias que não conseguimos detetar, ou cuja existência reconhecemos sem, no entanto, as conseguirmos ver ou ouvir. Isto define os limites do nosso conhecimento e evidencia a nossa limitação enquanto seres humanos.

Para mim, as chamadas ciências esotéricas são apenas mais uma ferramenta que o ser humano criou para se sentir o centro do universo. São uma construção da nossa mente, fruto da nossa imaginação e da nossa imensa criatividade. No fundo, tudo isto existe porque não conseguimos aceitar que a realidade possa ser apenas aquilo que é, sem significados ocultos ou dimensões superiores.

O conceito de um lugar onde todas as almas vivem em estado de amor incondicional, mas que, por algum motivo, precisam de reencarnar na Terra para sofrer e evoluir, não faz qualquer sentido. Se esse estado de plenitude realmente existisse, porque haveria necessidade de o abandonar?

Vejo estas crenças como uma forma de alienação mental, repletas de folclore sobre o papel de cada um no universo, sobre estar ou não no "caminho certo". Na essência, não diferem em nada das religiões tradicionais. Servem apenas como uma justificação para aceitar o sofrimento e os defeitos humanos, funcionando como uma injeção de positivismo que, no fim de contas, não passa de mais um mecanismo de alienação. Mais uma forma de Homo-centrismo.


Cascais, 14 de Dezembro de 2024

terça-feira, 26 de novembro de 2024

 "Deus não precisa do homem para nada, excepto para ser deus. Cada homem que morre é uma morte de deus. E quando o último homem morrer, deus não ressuscitará."

José Saramago

terça-feira, 21 de novembro de 2023

 Realista esperançoso


O otimista, por sua natureza, acredita fervorosamente no lado positivo, sendo surpreendido quando as coisas não correm como planejado. Este despreparo para contratempos pode resultar em desapontamento, pois raramente se prepara para o pior. Quando as circunstâncias são favoráveis, ele tende a considerar isso como algo normal, raramente se deixando surpreender.


Por outro lado, o pessimista antecipa que as coisas podem falhar, o que o torna menos afetado quando os planos não se concretizam. Experimentar o inesperado como algo positivo é uma maravilha para ele, já que geralmente está preparado para cenários adversos.


Há quem defenda, de maneira negativista, que "o pessimista é um otimista realista". Voltaire ironicamente destaca que o otimismo é a persistência em afirmar que tudo está bem quando a realidade indica o contrário.


Em contraponto, a perspectiva positivista, conforme expresso por Winston Churchill, enfatiza que "o pessimista enxerga dificuldade em cada oportunidade; o otimista visualiza oportunidade em cada dificuldade”.


Por fim, o sensato realista, representado por Ariano Suassuna, argumenta que tanto o otimista quanto o pessimista têm suas falhas. Para ele, a verdadeira sabedoria reside em ser um "realista esperançoso".


Londres, Novembro 2023 com ajuda do Chat GPT

domingo, 19 de novembro de 2023

 O Todo

Tudo que conheço, sinto e que me existe, agrego uma ideia de conceito e forma.

Do conceito, entendo a razão de ser, do que quer que seja.

Da forma, a sua consistência. 

Não separo uma da outra, reconhecendo que sem um conceito, não se justifica uma forma, mas sem a forma, não se expressa um conceito.

Seja material, como arte entre outras coisas, ou imaterial como as ideias, o conceito necessita da forma para se manifestar.

A qualquer conceito, pode se determinar várias formas de se expressar.  Uma vez que decidido o formato do conceito, sua existência pode e muitas vezes deve, tomar seu caminho próprio, desligando-se do seu autor e desbravando a interpretação de quem o recebe


Dou muita importância à forma, e aos detalhes da mesma. Não a considero escrava da ideia nem entendo a transcendência de uma mera existência, mas como a potencialidade estética de se poder expressar um conceito.


Goa, 2023

 I don’t believe in racism


The idea of racism hinges on the notion that one's inherent value is tied to their race, a factor beyond individual control.

The fact that you where born in to a specific race, was not a given choice to you, but a consequence of nature. 

You had no part in where, how and when you where born, unless you believe in some kind of espiritual path, in which at the moment I'm reluctant to believe, making it ridiculous to think that you are in any form superior to any other human being just by given birth status.

Embracing the understanding that we share a common humanity promotes inclusivity, dismantling the fiction of racial hierarchy

So I understand that racism is a fictional believe, another one that humans need to rely on to feel protected and stronger, pure fiction.


Mumbai, October 2023

sábado, 5 de novembro de 2022

 Convicto de incertezas


Eu geralmente me afasto, até me intimido, com as pessoas que demonstram um excesso de confiança baseado em um discurso pleno de convicções e certezas. 

Prefiro co-habitar com pessoas seguras de si e com dúvidas saudaveis. Estes estão sempre prontos para descobrir coisas novas e não se limitam a uma vida de visão obtusa. 

Das poucas certezas que tenho, é a de que pouco ou nada é certo. 

Todo conhecimento pode evoluir e toda a convicção pode estagnar. 


“O problema do mundo é que as pessoas inteligentes estão cheias de dúvidas enquanto os estupidos estão cheias de confiança”

Charles Bukowski


Convinced of uncertainties


 I usually shy away, even intimidated, with people who show an excess of confidence based on a speech full of convictions and certainties.

 I prefer to live with people who believe in them selfs and have healthy doubts.  These are always ready to discover new things and are not limited to a obtuse vision life.

 Of the few certainties I have, is that little or nothing is certain.

 All knowledge can evolve and all conviction can stagnate.


“The problem with the world is that the intelligent people are full of doubts, while the stupid ones are full of confidence. 

Charles Bukowski



Karaman, Turkiye Novembro 2022

terça-feira, 18 de outubro de 2022

 RELIGION


Can you imagine a society where people would be encouraged to when in early school, learn throughout one year ten different religions and then choose one.

Probably after that year they would come back and say that they are all very similar, talking of the same values and messages but through different codes and language, reflecting mostly from where they are coming from.

You would understand that religion is actually local culture.  

Every region has its understanding of how society and their members should behave and religion was the way to make it functional. The connection to a divine is the most important one and mostly all say the same, with different symbology. The important message is that there is a common energy that connects us all, beings and all nature, univerasaly, and that we have to respect, celebrate and try to understand it

So if you look carefully, one is born in a society that has its values in civil and cosmic understanding and it-passes through education this values, to the new comer. Its a natural order to build a environment that everybody around you behaves in a common way. Actually belonging to one creed, in the enormous majority, is because you where brought up in a certain society, not a natural choice.

Humans need a sense of identification with there neighbours for comfort and protection. You will be very unhappy or excluded if you go around every day questioning the social rules of your local society, so if the law is so called divine, you will end up obeying without questioning making a more peaceful neighbourhood.

No god tell's anything to anybody about what to drink or eat, or what to dress. That is Man determined rules.

God is a concept of the universal force.


Believing in the concept of God is embracing the idea that there is a cosmic natural chaotic force that made and explains everything, and that we are part of it.

Believing in a religion, is believing the above, even if through different words, and accepting that your behaviour as a social being is dictated by man who wrote the religion and there rules.


17.October.2022

On a train from Istanbul to Konya

terça-feira, 22 de junho de 2021

 Character Driven vs Plot Driven


Pus me a pensar, mediante a enorme maioria dos projectos a que estou ligado na ficção audiovisual, o  porque dessa maioria das histórias não terem a cultura de personagens fora do normal e de ser a narrativa convencional do cotidiano a forma primordial de contar histórias.

Sou assumidamente um fâ de histórias que narram um personagem completamente fora do normal, tipicamente diferente do comum dos normais, que justifique ser mostrado ao publico pela sua excentricidade ou maneira peculiar de ver o mundo.

Entendo que há espaço para ambos, a narrativa do cotidiano, onde as pessoas se revem ou ambicionam se rever nas personagens e este tipo que mais me atrai, aquilo a que os anglo saxoes chamam de “Character Driven”

É mais complexo que isso, pois a teoria à volta de escrita de histórias divide um guião em duas formas, o Character Driven e o Plot Driven. Podem e devem se misturar, mas a essência é diferente, um narra factos onde os personagens até podem ser alterados, e o outro narra a odisseia de um personagem, onde os factos podem ser alterados.

A conclusão a que eu cheguei, é que é muito mais simples e directo de assimilar e de identificar-se com uma história à volta de factos (e quanto mais mundanos, melhor) do que a mais complexa luta e procura do entendimento de si de um só personagem e seus conflitos.

Ponho me a indagar se é uma característica cultural do cinema português, de ser mais corriqueiro e menos invasor.

Sei que existem histórias e já fiz filmes onde se mostra personagens “fora do baralho” (O Barão, A Confissão de Lucio…), mas escritas de raiz, não adaptados da literatura, de pouco me lembro.


Cascais 2021

segunda-feira, 8 de março de 2021

 Ideia partilhada com a Academia de Cinema


No actual panorama de produção, tanto português como internacional, o formato das séries tem vindo a crescer a um ritmo acelerado, pondo a maioria das produtoras e cineastas que fazem cinema, a desbravar e abraçar as séries, onde, quanto a mim, que fiz três nos últimos dois anos, não distingo, tanto a metodologia de produção como o possível conteúdo, de uma tradicional longa metragem, para além do tempo da peça final e da exposição de ser projectado em sala de cinema ou na nossa sala.

O nosso trabalho, de guião, produção, construção de personagens, representação, realização, arte, som, fotografia, etc. é o mesmo, senão maior. O conteúdo cinemático não se deve limitar a numero de minutos nem por onde será vinculado.

Acredito que mais cedo do que se imagina, os prémios internacionais, tanto de festivais quanto de outras academias, serão divididos em dois formatos, historias com até duas horas e histórias com mais de duas horas, e as premiações passarão a ser indiferentes à escolha de onde foi projectado.

Os Emmys tem a categoria que eu acho perfeita para o nosso panorama; Limited Series, Movies  Existe antes disto a distinção entre TV Series Single Camara e TV Series Multi Camara, que distingue o formato de produção entre elas, e o meu ponto, para nossa discussão, é que o conceito das TV Series Single Camara são Cinema, com mais minutos.

Outra possível vantagem deste alargamento, para além de mostrar o extraordinário trabalho de actores, realizadores e outros que se perdem em não reconhecimento, é de evitar que a academia se afunile em um só formato de produção.

O Cinema vive uma revolução de formato e exposição onde me parece que não devemos nos limitar a uma só mentalidade. 

Uma ideia para conversarmos.


Fevereiro de 2021


 Meu segundo prémio dado pela AIP e ganho pela serie A Espia.  Este prémio é sempre mais agradável pois é dado pelos meus pares, o que o torna quanto a mim, mais credível.

Copio aqui o texto que pus no Facebook;

"Obrigado à AIP pela iniciativa e por continuar a promover o trabalho dos Directores de Fotografia tanto em Portugal como pelo mundo fora. Não posso deixar de agradecer ao Hugo Azevedo aip que fotografou a 2nd Unit e que trouxe o seu talento para fazer desta dura produção um sucesso. À equipa de câmera que tanto me apoiaram; Miguel Robalo, David Vasquez, Silvia Diogo, aos camaradas/chefes; José Manuel e Carlos Santos, a directora de arte, Elia Rocas e à produção da Ukbar que não se conteve em investir tudo em frente da lente e claro, ao Jorge Paixão da Costa pela oportunidade."

domingo, 7 de fevereiro de 2021

 Talvez a melhor explicação sobre o que é arte e o que é ser artista


Statement to Simone Tery – Pablo Picasso

What do you think an artist is? An imbecile who, if he is a painter, has only eyes, if he’s a musician has only ears, if he’s a poet has a lyre in each chamber of his heart, or even, if he’s a boxer, just muscles? On the contrary, he is at the same time a political being, constantly alert to the heart-rending, stirring or pleasant events of the world, taking his own complexion from them. How would it be possible to dissociate yourself from other men; by virtue of what ivory nonchalance should you distance yourself from the life which they so abundantly bring before you? No, painting is not made to decorate apartments. It is an instrument for offensive and defensive war against the enemy.

It was originally published in Les Lettres Franceses, V, no. 48, Paris, 24 March 1945. Simone Tery was a french journalist.

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

A diferença entre assumir a câmera e sua estética como um personagem do filme ...  ou não.

 (Tema quanto a mim um tanto ou quanto ultrapassado)

Existe uma corrente de cineastas que defendem que o publico de um filme deve ser imune á percepção da existência de um meio de captação e que qualquer outra maneira só é distractiva de toda a narrativa,
Já eu, acredito que no cinema o uso de artefactos como posições de câmara, escolha de lentes, iluminação e até como se corta de plano para plano, são ferramentas artificiais usadas para deliberadamente contar a história e criar emoções e que esse trabalho que irá ditar uma estética, (não uma distração) é mais um personagem do filme, que diferente dos outros representantes, existe para embrulhar e dar uma personalidade visual à historia.
A ação de um qualquer filme de ficção, já por si é uma encenação, feita e projectada para a assistência que inevitavelmente passa por uma lente e câmara, em substituição de uma sala de teatro onde existe a relação palco (cena) e espectador (POV).
Quando vemos uma peça de ficção no teatro estamos 100% cientes de que se trata de uma encenação, e não deve ser diferente no cinema. Aliás, a função da encenação é trazer de forma representativa, ideias e emoções para que o espectador se embrulhe na narrativa. 
No cinema tudo isso vem em forma de fotografia
Qualquer espectador que vá ao cinema, sabe que tudo é encenado para ele, sendo a grande diferença, que passou a ser muito fácil levar o espectador para dentro da cena, através de posicionamentos de câmara que ultrapassam a linha do palco, já por si uma adulteração da ideia de uma fronteira espectador/cena.
Não discuto se nos dias que correm haja gente que não saiba que qualquer filme foi feito com uma câmara, acho irrelevante, pois para quem o sabe, no minuto que começa a projeção do mesmo, espera-se que esse tópico fique adormecido no consciente e que a pessoa se embrenhe na narrativa sem ser distraída, mas simplificar a isso, como no pensamento inicial deste ensaio, e delegar à câmara de ser só um instrumento para o observador, me parece muito redutor, pois o papel da câmara na narrativa tem de ser assumido, ou então vamos fazer teatro.
Gosto de tratar a câmara como mais um personagem, o personagem invisível, aquele que tem uma personalidade própria e adequada à historia e que também ele, como os actores em cena, tem a missão de contar uma história e de criar emoções 


Berlim Setembro e Cascais Dezembro de 2019

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

ASSUNTOS DE DEUS

02. A EXPLICAÇÃO

Um esclarecimento sobre Deus

Dado que somos todos massa e energia e que tudo isso é o que forma o Universo, mesmo o que não vemos ou conhecemos, faz todo sentido que isto tudo esteja interligado de uma forma ou outra.
O conjunto disso tudo, a Unidade, tudo engloba e tudo explica cabendo a nós na nossa pequena ignorância ir tentando decifrar o todo. Nada mais claro que respeitar essa unidade e lhe poder dar algum valor espiritual,pois é maior que nós, dentro de nós, e é desse conceito do todo, que eu entendo o conceito de Deus.
Não me considero Ateu, Agnóstico ou Crente, e nem por sombras vejo a necessidade de instituições para poder entender e respeitar esse conceito de Deus. Aliás, nem vejo qualquer necessidade de o chamar de Deus. Entendo que as religiões criadas pelo homem tem necessidade de ilustrar uma ideia para que seja de fácil percepção.
È puramente simples. 
É o caos que dita a regra e tudo é uma só unidade.
Chamar de Deus é querer dar uma dimensão humana que me parece pretensiosa e desnecessária.



Cascais 2014

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

“A Fé que tenho ninguém me tira”
A Criação do Homen - Pensamentos Metafísicos Rudimentares e nada de novo.

Talvez a ferramenta mais interessante em Nós, seres humanos, e que nos fez tão prolíferos de ideias e distintos em relação á nossa condição animal foi sem duvida a capacidade de imaginar. A capacidade de desenvolver todo um universo só fruto de nossa mente, uma realidade paralela, proporcionou nos a habilidade de criar histórias e de as viver tornando-as tão reais como o universo das coisas fora de nossas mentes.
Filosoficamente falando, realidade são ambos, a tangível e a ilusória
Mal de mim como poeta se não desse a essa capacidade o mesmo respeito e valor que a  realidade material. Aliás, é no meio desta capacidade de imaginar, que quase tudo que o homem criou se materializou. Existem outros temas que para muitos, não necessitam de ser materializados para serem credíveis o que só por si se torna muito interessante acreditarmos em coisas que não tocamos e que povoam nossas mentes em muitos casos criadas em outras.
E pensar que tantas outras realidades existem mas só nas mentes de quem as criou,
Pergunto, faz de si uma realidade algo que importámos de outras mentes e que não tocamos?
Não é maravilhoso que uma pessoa consiga conceber Deus?

O divino é uma criação humana. Talvez a mais bela delas todas. Compreendo e concordo com o conceito de uma grande verdade que engloba toda esta energia em que nos movemos. Para mim e por enquanto, é me claro que a esta verdade absoluta, há quem chame de Deus.  
Não é assim tanto uma imaginação, mas esse conceito é bastante palpável, pois ele nos cerca e dele somos constituídos.
Dentro desta enorme bola de energia, a que nós pertencemos, só de uma ínfima parte temos conhecimento, o que torna fácil entregar a outros a hipotética capacidade de entender tudo. 
Delegar a outros. Sempre o caminho mais fácil que a grande maioria de nós prefere.
A meu ver, não existe essa dualidade, Nós e o divino, mas o Uno, por isso pessoalmente não entrego a terceiros e assumo minha cota parte num só todo.

A criação do homem, que não material, a ilusão, é toda fictícia e pode se tornar limitada uma vez que encerrada e dogmatizada. 
Aquele que vive por esses princípios, limitado fica. 
Essas ilusões criadas pela mente humana quando partilhadas e recriadas e aceites em outras mentes criam um elo artificial que liga e conforta grupos de diversas dimensões.
Dessa realidade ilusória nascem vários conceitos, como o de nacionalismo, uma fronteira totalmente criada pelas mentes dos homens onde se desenvolvem esses fictícias crenças e como nas religiões e tantos outros “ismos” que fazem as pessoas viverem uma vida dentro de uma ilusão.
Adoro
Gosto que não sejamos só matéria. 
Adoro reger parte da minha vida por conceitos abstractos.
Mas cuidado Será a adoração uma posse?

Desde que concordemos que a realidade não se restringe ao universo material, então sim, as emoções e ideias e nossas adorações também são posse.

“A Fé que tenho ninguém me tira”


Cascais 2019

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Melancolia

Melancolia foi o tema da conversa de hoje com o meu filho que estuda Filosofia. 
Conclui que Melancolia tem sido minha companheira desde sempre, 
que me tem feito percorrer por um estado de exaustão e esplendor, essa mista dualidade de conforto e luta, berço de boa parte da minha criação.
É do entendimento popular, que esse estado está directamente associado a depressão evidenciando tristeza, saudosismo, desapego material e social, medos, desinteresse geral e apatia. Que não haja duvida disso. 
Meu filho Guilherme deu me a ler a sua Tese e me apresentou a Jonathan Flatley entre outros.
E descobri que melancolia também é (ou tem potencial para ser) um estado de verdade, devido em parte ao desapego e desligamento. 
Esse estado pode nos levar à introspecção e entendimento, um tempo de reflexão da realidade e capacidade de entender a nós e outros e se tivermos com a atenção ligada (serendipidade) podemos fazer da melancolia uma grande ferramenta para sintonizar com a vida, pois já compreendemos muito mais do que aquilo que achamos, mas não se continuarmos no lado amargo da melancolia. 

Cascais 2016



During its long history as a scholarly/intellectual object of study, melancholia has been consistently associated with such traits as inhibition from activity, paralysis and deep sadness without cause. Throughout the centuries detachment and self-absorption are two of the conditions that have marked out as prominent. The object of such a long and continuous interest in melancholia has been, as Ferber notes, curiously not associated so much with its pathologies, but with people of great intellectual and/or creative talent, who in turn had a deeper insight to truth. Already in ancient history melancholia was categorized between a depressive type and an illness or mood, which allowed thinkers such as Plato and Aristotle to link melancholia with “men of extraordinary ability”. During the Middle Ages melancholia was associated with acedia, which was occasionally seen as motivating a subject towards finding the meaning of God, once again revealing a tendency to correlate melancholia with inner truth. It was only in the Renaissance, through Marsilio Ficino’s Books on Life, that melancholia acquired a highly prestigious statute, seen as “as the mood of the poet and the thought in general”
Melancholia thus relates not directly to a lost object nor to no object at all. Rather it’s marked by the unbearable presence of the ghost of a lost object, haunting the subject without revealing itself to his or her conscious.

Extracto da Tese de Mestrado de Guilherme Novais Branquinho de Oliveira

Jep Gambardella is the melancholic hero according to Leibniz and Freud

King’s College London, Londres 2016

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Realização e sucesso

Realização e sucesso

O caminho da realização e do sucesso correm lado a lado, mas em muitos dos casos nunca se encontram.
O sucesso vem do reconhecimento de outros do trabalho que a pessoa produz. Acredito que existam dois tipos de sucesso, aquele que nasce da exposição publica que parece ser o suficiente para o reconhecimento de outros e para se ter uma falsa ideia interior de sucesso apenas suportada pela imagem de um ser e não pelo seu intrínseco  valor, e a outra que nasce da consequência de algo criado genuinamente por alguém e que vem a ser reconhecido e apreciado (sim, por que sucesso é apreciação) por outros.
Normalmente vejo o sucesso como uma necessidade de nos grupos se criarem figuras de relevo e para admiração.
A diferença me parece obvia do valor e da convertibilidade de uma fama que vive só de imagem e outra daquilo que se realizou. 
Aquele que se alimenta da Fama de sua imagem, é aquele que também por norma corre atrás da fama como seu grande objectivo e inequivocamente depois de a conseguir, há de a perder, pois modas mudam, beleza esvai-se, e ou se está sempre em exposição ou o esquecimento publico é brutal. Parece me muito frágil, como um castelo de cartas, tão delicado, vago, fútil, capaz de cair ao primeiro sopro.
A Fama que não se alimenta de imagem e sim de conteúdo, ultrapassa tempos e modas, talvez com menor retorno que a da Imagem, mas com mais veracidade para suportar a personalidade de quem a carrega.
Normalmente, sucesso autentico acaba por vir para aqueles que se dedicam de alma genuinamente ao que gostam, pela sua dedicação a uma causa e se juntar um mínimo de talento á paixão, o reconhecimento há de vir, agora se um viver obcecado com o sucesso como meta final, dificilmente ele chegará e se chegar, irá sempre se sentir como alienígena e não natural.
E se nos encontrarmos um dia na situação em que achamos que não conseguimos ter paixão ou dedicação por algo, como acredito que todos nós questionamos isso varias vezes, o melhor é forçar um caminho por aquilo que minimamente nos satisfaz e que esse caminho vai fazer crescer em nós o desejo de dedicação a uma causa externa a nós, maior que nós, que a meu ver á a única forma de se chegar a algum tipo de realização, uma construção onde outros também beneficiem.

Voltando á figura de quem se deslumbra com o sucesso de sua imagem, parece me a mim, que quem entra por ai acaba canibalizando se, consumido no seu próprio Ego e se perdendo num labirinto interno que só a ele faz sentido. Isso destrói, o outro constrói.


Cascais 04. Janeiro. 2019

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Satisfeito e frustrado

Tudo em que agimos, nos retorna emocionalmente em doses de frustração e satisfação.
Neste nosso caminho, por mais paixão que possamos criar e que justifique a nossa dedicação a uma causa, ideia ou pessoa, havemos de vir a ser confrontados constantemente com essas duas emoções. Quanto à frustração esse sentimento pode ser o motor da mudança e superação como pode ser da destruição. Já a satisfação, tão prazerosa que ela é, pode também ter a nefasta função terminal, como algo a que se chega, termina.
Essa dualidade é a meu ver a dinâmica, a combustão da nossa existência, e sua conjunção uma das razões da nossa consciência.
Essas duas emoções nada mais são do que sensações totalmente criadas por nós próprios,  pois temos dentro de nós um objectivo de chegar a algum lado, uma ideia do que deve ser a construção de algo em que nos envolvemos, uma ideia nossa que queremos compreendida, um desejo que queremos realizado, etc.
Satisfação é o que há de melhor, é lá chegar.
Frustração não.
É não chegar ao fim ou ter de contornar para lá chegar. 
É acreditar em algo que não é aplicável
É um desapontamento, uma decepção. 
É não conseguir fazer o que a nossa mente quer fazer.
É não ser aceite.
E acima de tudo, é não conseguir dar o passo que falta.
E todos os dias temos de lidar com novas frustrações, mínimas e máximas, ou as mesmas, que teimamos em não conseguir resolver. E no caso das satisfações, todos os dias vem também em doses, grandes e pequenas, muitas vezes sem tomarmos consciência e na sua maioria automaticamente, outras de forma consciente por vitórias em objectivos por nós estabelecidos.
A satisfação é o máximo a que o homem se propõe. Aquilo que mais retorno nos dá. Pode vir em forma de Ego ou de Altruísmo, ou dos dois em combinação, mas vem. Muitas vezes vem como disfarce de coisa positiva quando no fundo nos é nefasto, servindo só um desejo por nós criado com o solo intuito, de afagar o Ego, uma satisfação de cobro negativo.
Atenção à fácil alienação e à criação de falsas satisfações.
Atenção ao falso Altruísmo.
Quanto à frustração, o caminho é o da aceitação, pois que ao ter consciência de que algo nos frustra, é ter uma ideia do que queremos e se soubermos, do que nos limita a lá chegar, é estar a trabalhar um estado de maior claridade e de desapego da maioria das nossas emoções, e assim conseguiremos digerir e ultrapassar nossas frustrações.  
Mais virão.
Mas enquanto isso, temos de tentar não encalhar nelas e fazê-las trabalhar em nosso favor. 


Cascais, 26 de Dezembro de 2018

domingo, 4 de janeiro de 2015

Actualizado


Vem te o tempo cobrar, tudo aquilo que te deu a conhecer e não sabes como devolver e por vezes, mesmo guardar
Vem te o tempo oferecer, aquilo que pouco podes segurar e perdes.
Da idade da acumulação de informação se vai á idade do desfrutar do pouco que realmente interessa via um filtro natural. Experiência.
Chegado ao ponto de pouca capacidade de absorção, vem a intima degustação de uma seleção
Não consigo albergar muito mais informação, mas consigo ser mais genuíno.
Meditar traz me alegria e conhecimento ao desentupir entraves próprios.
Até á data, álcool e outras bilongas, trazem me euforia e confusão. 
Consigo absorver um tanto de informação e não mais e acredito que todo ser tem seu limite de ocupação
Espero ter tido a sorte de o encher com qualidade
Sentido este sol de pouca dura, só me restou continuar a caminhada.