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quinta-feira, 3 de julho de 2014

A COPA DO MUNDO E O EU ULTRAPASSAVEL

Realizado um dos meus sonhos de criança. Viver um Mundial de futebol. 
Quanto mundano possa parecer, esta adoração por um grupo de 22 “gajos” a chutar uma bola, ultrapassa me em muito mais que só isso, que é o que realmente o é.  22 “gajos” chutando uma bola.
Ultrapassa me a sociologia do tema, e seu estudo das massas e sua necessidade de agrupar semelhantes que se sentem mais protegidos quando pertencentes de um clube de uma cor de uma nação e por ai a fora.
Desde muito cedo, e criado que fui no Brasil, vivi intensamente o ambiente á volta de um Mundial, onde o que mais me interessou sempre foi o confronto entre países, mais que o torcer pelo meu, era o lado bélico e a energia gerada pela sociedade que se cega e se expande em inocente fanatismo, como na velha Roma dos Gladiadores. Pequeno argumento de dualidade, sendo eu um anti patriótico na explicação recorrente.
Ultrapassa me esse gosto subliminar de guerra, que creio seja bastante similar ao de quem brincou com guerras sérias por diversão bélica e gosto de conquista.
Belo Horizonte Junho de 2014

SIMPLES EXPLICAÇÃO DA IGNORANTE CRENÇA MESSIÂNICA


“The thoughtful student, in scanning the religious history of the race, has one fact continually forced upon his notice, viz., that there is an invariable tendency to deify whomsoever shows himself superior to the weakness of our common humanity. Look where we will, we find the saint-like man exalted into a divine personage and worshipped for a god. Though perhaps misunderstood, reviled and even persecuted while living, the apotheosis is almost sure to come after death: and the victim of yesterday's mob, raised to the state of an Intercessor in Heaven, is besought with prayer and tears, and placatory penances, to mediate with God for the pardon of human sin. This is a mean and vile trait of human nature, the proof of ignorance, selfishness, brutal cowardice, and a superstitious materialism. It shows the base instinct to put down and destroy whatever or whoever makes men feel their own imperfections; with the alternative of ignoring and denying these very imperfections by turning into gods men who have merely spiritualised their natures, so that it may be supposed that they were heavenly incarnations and not mortal like other men.”

Excerpt From: Henry Steel Olcott. “The Life of Buddha and Its Lessons.” iBooks. 
This material may be protected by copyright.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

AÇOUGUE T-BONE



Foi uma grande descoberta para mim a cidade de Brasília, 
A cidade é muito bonita, organizada, limpa, enfim, civilizada. Fui lá ver o jogo de Portugal e adorei tudo, inclusive o estádio Mane Garrincha, tão contestado (indiscutivelmente) mas que é uma obra espantosa que se iguala a qualquer dos super estádios do mundo. Desadequado por hora para a cidade que é, mas numa perspectiva a longo prazo, uma boa visão.


Mas acima de tudo, foi a descoberta do show de Jorge Ben Jor, que adora, de graça numa rua fechada organizado por essa incrível entidade, o açougue T-Bone.
O herói deste escrito, o talhante Luiz António, aprendeu a ler e escrever aos 16 anos, apaixonou-se por livros e achou que não podia guarda- los só para si, por isso no seu talho vendia carne para alimentar o corpo e pôs uma estante com livros para as pessoas levarem e trazerem livros para alimentar a mente. Passou a ser uma referência de encontro entre poetas e outros artistas de Brasília, lançamento de livros etc.
Depois fez o mesmo em algumas paragens de autocarro(ônibus), tudo de graça.
Maravilha. Vejam os links




quarta-feira, 14 de maio de 2014

TIRADENTES


È isso ai. Esse arranjinho nunca me enganou.
Todas as instituições (Países, religiões....etc) e seus criadores e intervenientes, com o propósito de dominio, necessitam de mártires para satisfazer a fome do imaginário popular de existirem Super Heróis. O Ser Humano tem esse ridículo complexo de inferioridade e ignorância de que tem de existir sempre algo ou alguém (Cristo...) que seja mais do que nós e que sirva de exemplo.
A História do Brasil, como de todos os outros, está cheia de factos deturpados e manipulados em prole da vitória do poder e do obscurantismo da populaça. Desde Tiradentes passando pelo poder imperial, curvando em Getúlio, abraçando os governos militares e acabando para já em Lula
Mais uma vez, quem se lixou foi o povinho, os bacanas saíram se bem

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

ATENÇÃO (AS VIAGENS)


Uma das formas que  mais se deve valorizar da inteligência é a atenção.
Saber dosear a velocidade da atenção é um segredo para uma melhor aceitação social, não insultando nem arrogando superioridade. É só mais uma das vertentes da nosso pensar.

Sou mais ligado á sensação das ideias que ao entendimento das mesmas.
Sou limitado por isso mesmo, mas o apetite de sentir também faz de nós, cidadãos do mundo.

A viagem é uma conjunção complexa de vontades de não entrega. Um desconforto necessário de se estar mediante desafios e novidades. É integrar para não se entregar.
É estar alerta para viver a atenção 

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Coincidências

Não podia deixar de escrever sobre esta.  Num dia frio deste ultimo dos nossos novembros, tive que ir fazer um trabalho ao Chiado e estacionei o meu carro no subterrâneo do largo Camões.
Ao terminar a correção de cor na Bikini, eram umas 7 da tarde, já de noite, ofereci boleia ao meu amigo Eugênio, e fomos a caminhar até ao largo onde existem duas entradas para o parque. Escolhi aquela que ficava mais cerca do meu veículo. Ao atravessar a praça, e ao passar rente a um dos bancos de pedra, reparei que escondido, por debaixo, encostado a um de seus pés, estava a matricula de um carro, 16-BH-02……o VW da Adriana, Incrível.  Ela tinha por lá passado pelas 11.00 da manha e deixou cair a matricula e alguém colocou ali, meio que escondida, e eu é que fui encontra la na praça mais movimentada do pais, a 30 km de casa.


Novembro 2013

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013


                                    SOPHIA 2013

Ganhei o prêmio Sophia pela fotografia do filme de Vicente Alves do Ó, "Florbela", o primeiro entregue pela novíssima Academia Portuguesa de Cinema. Uma honra.
A importância do prêmio e seu infundável valor. 
Sim, é fútil e fundamental, dar-se um prêmio por um trabalho de criação, neste caso, a fotografia cinematográfica. Levar a competição como se fosse uma corrida, vários filmes onde se vai votar "a melhor" fotografia, "a melhor realização" etc... não podia ser mais descabida. Como avaliar o que é melhor, quando cada trabalho deve ser apropriadamente aplicado a aquele argumento, em conjunção com a orientação visual do director do produtor, do director de arte, e tantos outros. Sim, somos os responsáveis, os maestros dessa orquestra visual, dai o assinarmos. Nós os directores de fotografia somos os autores da criação, sem nunca se olvidar de que se trata de um trabalho feito por um grupo.
Falando daquilo que tenho feito nos últimos 20 anos, fotografia cinematográfica, cada trabalho visual em que participo, onde incluo a iluminação, o trabalho de câmera, as escolhas de enquadramento, lentes, horas, cores, texturas, o trabalho de efeitos especiais e a correção de cor final, são a grande parte do trabalho de um DF, que reparte em boa parte com o realizador, o produtor e outros técnicos específicos a cada área. Dependendo das pessoas com quem faço um filme, por vezes tenho muito mais intervenção e poder de decisão nestes pontos fulcrais da narrativa, e por vezes menos. São diversas as maneiras de cooperar.
O que quero dizer, é que não faço a fotografia sozinho, mas num constante merging de opiniões, vontades, possibilidades e acima de tudo, para servir a história que estamos a contar. Uma boa fotografia é aquela que ajuda a contar a história da melhor maneira possível.  Não sou da escola que diz que a fotografia deve ser o mais natural possível para não roubar a atenção dos actores e da narrativa. Acho que ela deve só servir o filme, e se for para ser neutra e natural que seja, mas se for para criar um visual artificial que transporte a audiência para outra atmosfera, que seja também. No meu entendimento não existe uma regra. Existem personalidades.
Pergunto me então, como se pode por em competição personalidades. Quem pode julgar tal trabalho? Acredito que a grande maioria onde me incluo segue um padrão genuíno de gosto pessoal.
E porque que tem que se escolher entre duas obras, jogar para a arena duas personalidades, dois mundos, e esperar pelo digladiar de ideias e palavras.  Cinema, ou outra qualquer arte, não foi feito para ganhar combates ou corridas. Cada peça tem seu valor.  Claro que algumas fazem realmente a diferença, e são obras muito bem executadas, e como tal, o reconhecimento por isso é próprio da nossa cultura.  Elevar a qualidade, separando assim da mediocridade.
Sim, talentos existem.  Mas não esquecer que nem todos prêmios chegam aos talentosos pois muitos deles não preenchem os requisitos de serem populares ou não são entendidos pela maior parte das opiniões, pois não esquecer que quem premeia, também ele é limitado á sua própria cultura, por mais vasta que for. Mais uma vez, arbitrária a escolha.
Apesar deste texto todo, Eu ganhei um prêmio que acho que tem alguma importância dentro do universo onde círculo e onde ainda quero circular mais alguns largos anos.
A indústria, ou se quisermos chamar, a produção, de cada mercado tem que se auto promover para continuar viva, pois é um meio que custa muito dinheiro, e só pode crescer se fizer público, ou se se fizer notado. É uma indústria que deseja a projecção do seu trabalho, não quer que fique no escuro a ideia e a emoção que se quis produzir, faça ele massas de público e dinheiro ou não. Acredito que se uma sociedade poder pagar, deve haver sempre espaço a essas duas correntes, o cinema que chega ao grande público e o que fale para as minorias. 
Dai a necessidade de se fazer as galas com a premiação, de forma a enaltecer o nosso cinema e a divulga-lo junto do público, e criar estrelas e nomes que tragam gente a ver cinema. É uma jogada comercial onde se passeia o ego disfarçado de talento. Onde se palmeia o reconhecimento pelo trabalho individual em obras de conjunto. 
A noite de premiação é um show case de tal. Faz parte, é inevitável. 
Vocês me desculpem, mas gostei de ganhar o meu Sophiazinho.

Luis, Outubro de 2013