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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010


Poeta de óculos novos.

De volta ao Rio, fui ver se a estatua do Drummond tinha os óculos ou se já tinham sido burlados novamente. Lindos e incoerentes lá estavam eles, novinhos, pela 8ªvez. Fiquei feliz de ver que por minha ausencia as autoridades cariocas resolver colocar uma camera de vigilancia.
agora ele fica sempre com um olhar protetor, visto que não consigo eternamente estar de plantão como o sheriff da visão do Poeta.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u672314.shtml

Já agora;

A TODOS DESEJO

Desejo a vocês...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crónica de Ruben Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TvTer uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho.
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.

Carlos Drummond de Andrade




sábado, 15 de agosto de 2009

Assuntos de Deus 3

ELEMENTAR

Uma ideia do conhecimento, de Deus e suas instituições

 

Todo nosso conhecimento é condicionado logo, limitado.

De forma alguma podemos arrogar tudo saber, logo, estúpidos.

Temos é de rever a cada instante, a extensão desse mesmo limite

Logo, activamente conscientes.

 

A ideia de que o conhecimento é imutável e finito, é pequeno e humano

No nosso entender, tudo é verdade até prova em contrario.

Qualquer ciência nunca é hermetica. Nem o absoluto o deve ser, questiono eu.

O absoluto, é a ideia de Deus.

Religião, é senão o canal pelo qual o homem tenta explicar ao seu igual, que pertencemos a este absoluto e de que nada adianta correr por conta própria.

Dado sermos tão limitados, necessário se fez, a criação de alegorias para que se explicasse de forma ilustrada o conceito superior do absoluto.

Pobre daqueles que não entenderam o rudimentar e se deixaram limitar tanto com preceitos morais como guia de suas vidas

Pobre daqueles que só viram o controle e o poder e criaram as instituições divinas


Cascais, Agosto de 2009


Proximos Assuntos;

Niilismo

Caos


quinta-feira, 16 de abril de 2009

A PESADA CAMINHADA

De estrangeiro me criei
Em terra onde nasci
Na raiz de outro alguém
Viajei mas não parti

Atacama Janeiro 2003

SER AUSENTE


Abstenho-me… Integro
A Ausência como um bem Capital.
Demasiada experiência não cria inocência?
Diz me Tu, ó Heroi marginal

A massiva branca expele o ditado
Tomara a mim poder estar deitado.

Fazes do Som o teu conquistado
Mas não compareces na hora do suicida.
Saberás Tu, de quanto Ser é se estar?
Ou só de quantas Luas se faz vida

Eu sei
Mas prefiro me ausentar.

Luis Oliveira

Cascais, 02.05.1998

terça-feira, 14 de abril de 2009

Chile 2


Da terra de Neruda e a quem me o denunciou
Da terra dos Mapuches e de quem comigo subiu
O mais alto das alturas e continuou essa nossa caminhada
Da terra dos vulcoes às outras viagens de denuncia
 

Chile 1

MORRE LENTAMENTE

Morre lentamente quem não viaja; quem não lê; quem não ouve música; quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente quem destrói o seu amor próprio, quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca, quem não se arrisca a vestir uma nova cor, ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão; quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos sem bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás dum sonho, quem não se permite, pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.

Morre lentamente quem abandona um projecto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples facto de respirar

Pablo Neruda